|
"Quando
você ouvir o álbum, sentirá o gosto
do meu colostro", garante Marli. "Colostro"
é uma revolução na carreira de
Marli. "'É um álbum que vem de minhas
entranhas. Escolhi esse nome porque nele está
o material essencial da vida. E é meu primeiro
trabalho depois de me tornar mãe. Vem do útero."
Ao
contrário do que muita gente poderia pensar,
"Colostro" não mostra
uma Marli careta e chata. "Quem disse que eu amarelei?
De amarelado só o colostro do título mesmo
(risos). Nós compomos algumas músicas
das mais pesadas da minha carreira."
O
disco, produzido por Witched, traz
14 faixas surpreendentes. "É um álbum
que começa muito dark", Marli explica. "É
o meu espírito vagando no início, um espírito
de uma pessoa esgotada e infeliz, que aos poucos vai
descobrindo novos sentimentos, como decepção,
raiva, revolta, arrependimento, prazer, amor, paixão...
Tudo isso numa espécie de purgatório.
E no fim ela descobre um amor puro e maternal, e tudo
se enche de alegria, terminando com uma facundação.
É o meu renascimento."
Marli
não está sozinha nessa jornada. Repetindo
a experiência da música "Eu Gosto
de Louvar", do álbum homônimo de 2003,
Witched se junta a Marli em duas faixas como backing
vocal da diva. "Sempre nos divertimos quando cantamos
juntos. Eu também quis resgatar algo antigo,
elementos pagãos. Por isso chamei um coro gregoriano,
o Coro de Ipirá, da minha cidade natal na Bahia.
Cantos gregorianos são densos, belos e assustadores,
e o coro canta comigo em diversas faixas".
Witched
também não está só na produção.
Marli chamou a dupla White Nóize para produzir
"Vulva Laica", uma das faixas mais experimentais
do álbum. "Eu conheci o trabalho deles e
fiquei fascinada. Fui correndo chamá-los pra
produzir uma música pro 'Colostro'".
A produção minimalista, cheia de sons
e ruídos indescritíveis, é um dos
pontos fortes do disco, que também conta com
caixinhas de música, harpas, sinos de igreja,
batidas distorcidas e, principalmente, a voz de Marli
mais potente do que nunca.
|