Oi, Marli!
Como vai?
Vou bem, obrigada.
Seus peitos parecem maiores do que na última
vez que falei com você.
É o leite. Me sinto uma vaca.
Bem, você está lançando sua
primeira coletânea de grandes sucessos, "A Árvore
Ginecológica". Como surgiu a idéia do disco?
Em primeiro lugar, não é exatamente uma coletânea
de grandes sucessos. Originalmente seria, mas eu achei que não
era o suficiente. Eu queria contar minha história de vida nesse
disco. Então eu resolvi incluir algumas canções
que não foram single e não entraram na parada, e talvez
sejam meio desconhecidas. Canções como "Papai e Mamãe",
"Oh Senhor" e "Au Revoir" são muito especiais.
Mas claro que os grandes clássicos estão todos lá.
A idéia surgiu quando eu fiquei grávida. Eu tive meu filho
nas vésperas do lançamento de "Uma Garota Do Cacete"
e percebi que minha vida estava para mudar completamente. Eu senti que
eu tava fechando um ciclo. Aí eu decidi fechar com essa coletânea.
De onde você tirou o título da coletânea?
O meu produtor teve a idéia. Ele é obcecado por minha
xereca e mete ela em tudo que é lugar. Mas é uma grande
idéia, sabe? A gente pensou em vários nomes, desde coisas
estúpidas como "Segredos Sagrados" até coisas
tipo "A Divina Calcinha", que foi considerado por um bom tempo.
Mas "A Árvore Ginecológica" é perfeito,
pois mostra a minha evolução como pessoa, artista e proprietária
de um útero.
Todas as músicas foram remasterizadas?
Sim, todas elas, inclusive as mais novas. Algumas sofreram pequenas
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modificações,
outras estão totalmente diferentes das versões originais.
Foi nossa chance de consertar pequenos erros do passado. E mais do que
tudo, melhoramos cem por cento as músicas dos dois primeiros álbuns,
que eram cheias de chiados e algumas tinham um som horrível. Agora
ta tudo perfeito. Estou orgulhosa de poder ouvir "Sagrada" inteira
(risos).
Há duas músicas inéditas na
coletânea, e uma delas é o seu novo single, "Odisséia
Clitoriana". É uma música bem diferente de tudo o
que você já gravou, não é?
É. Essa música foi escrita há algum tempo, e acho
que agora é a hora perfeita de lança-la. Ela tem um estilo
bem diferente, é sombria. Tem uma coisa mística também.
A letra é bastante poética e fala sobre uma mulher que
se sente renovada após sentir o prazer do sexo novamente.
E o que é "Maria Firmina"?
Ah, essa música eu gravei na época do "Virgem Brasileira".
Ela ia ser o tema de uma novela virtual estrelada por mim, no estilo
"Uma Garota do Cacete", sabe? Mas houveram uns problemas e
a novela foi cancelada, e com isso a música ficou na gaveta desde
então. E eu gosto muito dela e resolvi lança-la na coletânea.
É bem alegre, pra cima e é baseada nos temas de novelas
mexicanas.
Você optou por um remix do seu maior clássico,
"Ladra de Namorados", que tem como base apenas dois versos
da música. Não teme que isso chateie os fãs?
Não. Preferi esse remix porque se a versão original fosse
remasterizada ia acabar com a graça da música. Como foi
minha primeira música a ser lançada e virou esse sucesso,
acho que ela deve ser imortalizada daquele jeito. E o remix é
desgraçado de bom!
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Algumas pessoas
estão começando a reclamar da ausência de grandes
sucessos como "Cemitério", "Menina Capitolina"
e "O Olho do Tarado" na coletânea.
Isso é problema delas. Se quiserem ouvir, é só escutarem
os álbuns em que essas músicas foram lançadas.
Você é famosa por explorar o sexo nas
suas canções, mas percebe-se o seu prazer em falar também
sobre assuntos religiosos. O que lhe interessa nesse aspecto?
Ah, eu sempre tive uma queda por esse assunto. A gente cresce com todos
aqueles ensinamentos repressivos sobre Deus, a igreja, e tal. E chega
uma hora que ou você vira freira ou se atira na imagem de Jesus
crucificado. E eu preferi a segunda opção. Hoje, Jesus
pode me fazer mulher nos meus sonhos e eu posso acordar molhada e despreocupada.
Algumas músicas suas que tocam nesse assunto
religioso também se inclinam para um lado mais sombrio. Chegam
a ser quase satânicas. Qual a sua relação com o
Diabo?
Eu queria me casar com ele. Há alguns sentimentos que você
precisa expressar, às vezes você tem que enfiar o braço
na sua garganta e puxar isso do seu estômago. E isso não
tem nada a ver com forças malignas. Mas é preciso absorver
energias negativas em certos momentos. É a etapa de um processo,
você tem que mergulhar na mais escura das escuridões e
depois você se sentirá tão aliviado quanto cagar
depois de ficar apertado durante duas horas fazendo uma prova de Matemática.
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O que você
acha de ter influenciado tantos novos artistas após ser a pioneira
no gênero da Música Popular de Cozinha?
De foder. Eu acho legal essa minha influência, pois tem surgido
alguns artistas muito bons nesse novo ramo. O mercado culinário
fonográfico virtual tem muito o que crescer ainda.
Você disse há pouco que estava fechando
um ciclo ao ter um filho. Como a maternidade mudou a sua vida?
Mudou tudo. Minha visão de tudo na vida é diferente. Agora
eu me sinto ajuizada. Antes eu não dava valor às coisas,
nem a mim mesma. Eu era uma devoradora de homens, uma dominatrix. Sexo
era sinônimo do meu nome, cara. Eu tenho outras prioridades. A
chupeta agora é outra.
Podemos esperar um álbum com essa nova filosofia
de vida? Um álbum da Marli mãe de família e esposa
dedicada?
Peraí, eu não disse que era esposa dedicada... E eu não
sei se esse álbum vai vir a existir. Pode ser que venha, eu adoraria!
O meu produtor andou trabalhando em algumas faixas e eu tenho escrito
algumas coisas, mas ainda não há nada de concreto. Mas
eu estou louca pra gravar, o problema é que eu estou sem tempo.
Se esse álbum for lançado, garanto que será o melhor
da minha carreira!
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