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| SINGLES |

EU
GOSTO DE LOUVAR
Single de estréia do "Eu Gosto de Louvar",
a faixa-título é uma mistura inusitada
de gospel e rock, acompanhada por uma voz ora suave,
ora raivosa da musa. O single causou polêmica
ao ser ouvido pelo Papa, que não gostou nenhum
pouco da letra da música, que prega a liberdade
sexual comparando-a ao fervor religioso. A música
tem também backing vocals feitos pelo produtor
de Marli, Witched, e conta com um arranjo surpreendente
que oscila entre o rock pesado e a suavidade melódica
das canções religiosas. Muita barulheira,
gritos e momentos sublimes neste antológico single,
que veio para revolucionar o conceito do Pop de Cozinha.
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ABRA
SEUS OLHOS
Depois
da polêmica de "Eu Gosto de Louvar",
Marli surpreende mais uma vez com "Abra Seus Olhos",
segundo single de seu terceiro álbum, continuando
a explorar o rock. Com um som pesado e uma letra revoltosa,
"Abra Seus Olhos" é "um delicioso
hino de libertação feminina que já
começa armando um barraco", segundo Loba
Soares, crítica do Quadrodecontas. O single atingiu
o primeiro lugar, permanecendo nessa posição
por 2 semanas consecutivas.
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GAROTA
CRENTE
Depois
de dois singles pesados e com letras furiosas, no terceiro
single de "Eu Gosto de Louvar" Marli aposta
em um ritmo latino, com batidas mais suaves. "Garota
Crente" pode ser descrita como uma música
alegre. Mas apesar de mais descontraída musicalmente,
a letra de "Garota Crente" não é
nem um pouco inocente, e mostra de forma divertida o
desespero de uma garota reprimida pela família
e seus valores religiosos. A promoção
deste single foi inusitada, divulgando o Dia da Independência
da Garota Crente, por que foi lançado no dia
7 de setembro, Dia da Independência do Brasil.
Isso gerou muita curiosidade, fazendo com que "Garota
Crente" fosse o primeiro single de Marli a ficar
em #1 logo na sua semana de estréia.
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CEMITÉRIO
Este
é com certeza um dos singles mais lembrados de
Marli. Uma das canções mais queridas pelos
fãs, "Cemitério" é o
quarto single do álbum "Eu Gosto de Louvar",
lançado como single comemorativo do Dia de Finados,
e conta com a participação especial do
astro ALZ. A balada conta a história de uma mulher
desesperada para ressucitar seu amado morto, sendo capaz
de cometer as maiores loucuras (como desenterrá-lo
e fazer amor com o corpo dele em decomposição).
ALZ interpreta o falecido na canção. Sem
sombra de dúvidas, o dueto mais memorável
na história do Pop de Cozinha. |

MENINA
CAPITOLINA
Uma
das músicas mais louvadas do álbum "Eu
Gosto de Louvar" é lançada como single
especial da Rocinha, com edição limitada.
Por isso, não entrou na parada do Quadrodecontas.
Nesta divertida canção de arranjo circense,
Marli mais uma vez promete acabar com a raça
da amante do seu namorado, proferindo ameaças
e palavrões de forma debochada e infantil. Para
o papel da amante, Marli faz referência a Capitu,
a famosa personagem do romance "Dom Casmurro"
de Machado de Assis. |
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CRÍTICA
Como uma santa: Marli se supera em seu terceiro e melhor álbum
de estúdio por
Loba Soares
Depois que aquela garota levemente mulata apareceu no mundo
do showbizz xingando a Deus e ao mundo com o hit Ladra
de Namorados, a Música Pop de Cozinha nunca
mais foi a mesma. Essa garota quebrou tabus e polemizou com
seu álbum de estréia, intitulado meio que pretensiosamente
de Rainha das Trevas, esfregando sua sexualidade
na cara de quem quisesse ou não ouvir. Muitos declararam
que a carreira da cantora pouco duraria. Quando ela lançou
seu segundo álbum de estúdio, Virgem
Brasileira, ela chocou novamente a todos e quebrou
vários pilares da sociedade conservadora em que vivemos.
Com músicas fortes e desbocadas, Virgem Brasileira
começou meio capenga no Quadrodecontas, uma das paradas
mais importantes do mundo. Mas uma grande reviravolta aconteceu
durante a promoção do hit Armando Um
Barraco, e quando ninguém esperava, essa garota
deu a volta por cima e voltou a ser a diva maior de toda a
indústria culinária fonográfica.
Seu
nome é bissilábico, simples e totalmente inconfundível:
Marli. E em julho de 2003, a virgem brasileira que é
rainha não só das trevas, mas dos corações
de todos nós está lançando seu terceiro
álbum de inéditas. Mais ousada do que nunca,
Marli mostra toda a sua maturidade vocal e performática
ao longo das 10 fantásticas faixas que compõem
esse novo material. Dotada de uma fúria primitiva,
a cantora é capaz de arrepiar até ao mais
sensível dos mortais com seu incrível alcance,
o que apenas melhorou com todo o amadurecimento que a diva
tem acumulado ao longo dos últimos anos.
Logo
na primeira faixa, percebemos que o álbum é
uma grande surpresa. Eu Gosto de Louvar,
faixa-título e também primeiro single, é
uma das canções mais rudes e ousadas dos últimos
tempos. A controvérsia é tamanha que o próprio
Papa condenou a cantora e a chamou de herege. A diva, com
toda a classe que possui se defendeu com um incrível
discurso sobre liberdade de expressão. Mas a polêmica
não foi feita ao acaso. A letra de Eu Gosto
de Louvar mistura versos de amor à Deus
e à Igreja com palavras geralmente consideradas profanas,
todas de conotação sexual. O refrão
diz: “Vamos erguer os braços para o senhor
louvar/ Se liberte dos limites / Venha se ajoelhar / O prazer
não é pecado / Alguém me diz que isso
é errado / Mas eu gosto de louvar e não vou
parar de trepar”. Depois da faixa-título, Marli
nos choca mais uma vez com Abra Seus Olhos,
uma canção dance com uma letra bastante indigesta
e que será o provável segundo single. Abra
Seus Olhos é um delicioso hino de libertação
feminina que já começa armando um barraco:
“Vamos lá meninas / Faça o seu macho
ficar de quatro / Essa é a nossa canção”.
Depois de duas faixas genuinamente furiosas, inicia Cemitério,
o esperadíssimo dueto com o megastar ALZ. Provável
candidata a melhor faixa do cd, a música mostra todo
o desespero de uma mulher que tem seu marido morto (e o
exige de volta). Depois que toda a competência da
diva já parece ter sido mostrada, inicia a incrível
regravação de Big Time Sensuality,
da cantora islandesa Björk, batizada em sua versão
tupiniquim de Um Pouco de Sensualidade.
Marli nos surpreende com seus gritos, gemidos e com suas
engrossadas de voz, fazendo a versão original parecer
música do Tiririca. Começa então a
divertida, porém inexpressiva Chicote,
que não faz jus à incrível qualidade
artística do disco. Com uma letra sexy, porém
pouco original, Chicote é sem dúvida a pior
do disco, mas não deixa de ser um gostoso pano de
fundo para um jantar romântico. Depois de Chicote,
nos vemos surpreendidos pela belíssima Estrelinha,
uma canção inocente e infantilizada, que acorda
o lado mais romântico de todos nós. Segue então
uma canção cujo estilo é sempre obrigatório
dos álbuns da cantora: Menina Capitolina.
É a velha encarnação da garota traída
que não tem papas na língua ao blasfemar contra
a amante de seu namorado: “Você é uma
dissimulada, uma retardada / Eu quero que você morra
/ Sua cachorra”. Menina Capitolina
não é nenhuma grande inovação,
pois repete a mesma fórmula de outros já consagrados
hits, como Ladra de Namorados e Au
Revoir, mas é sem qualquer sombra de dúvidas,
extremamente divertida, e isso é o suficiente para
que esta seja uma das melhores faixas do álbum. Nos
demos de cara então com a autobiográfica Oh
Senhor, em que Marli confessa, com uma franqueza
assustadora que parte de seu sucesso foi alcançado
pelos seus dotes físicos: “Agora estou rica
/ graças à minha bundinha / Agradeci, oh senhor,
pela quenga que eu fui”. A mesma quenga reaparece
em Garota Crente, que como Eu Gosto
de Louvar, pode ser considerada uma imensa blasfêmia
contra a Igreja. Mas dessa vez, Marli ultrapassa os limites
de sua própria sexualidade, e o resultado é
uma das canções mais fortes e chocantes de
todos os tempos: “Você me come no quintal /
Eu te dou no milharal”. Esta excelente obra prima
em forma de cd é finalizada com a assustadora A
Besta Interior, mais uma grande polêmica
de duplo sentido em que Marli parece estar tentando se redimir
dos seus pecados... Alguém acredita?
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