CONFUSA
& CONFUNDIDA entrevista Marli
Por
Joseph Kunt (Outubro 2006)
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Marli,
você lançou há alguns dias o seu terceiro
videoclipe, “O Amor Está No Ar”. Depois
do primeiro vídeo, “Bertulina”, você
ficou ainda mais popular. O que você acha de tudo isso?
É engraçado. Eu não esperava que o lançamento
de um vídeo fosse render tanto. Claro que eu estou
adorando o sucesso dos vídeos, mas por outro lado...
Bem... (Risos) Um vídeo tem um poder impressionante,
não é? Eu estou há cinco anos nessa minha
carreira, fazendo música, e antes de lançar
o vídeo de “Bertulina”, a música
já estava disponível há cinco meses no
meu álbum “Colostro”, e – não
me leve a mal, eu me orgulho bastante desta música
– de repente, só por causa do clipe, tem um monte
de gente me chamando de Bertulina ou Marli Bertulina ao invés
de Marli. Isso é meio irritante, embora eu compreenda.
Eu conheço muito bem meu status no mundo virtual (Risos)
A verdade é que eu valorizo bastante o fundamento,
a construção de opiniões, se é
que você me entende. Acho que você precisa entender
de verdade o que está se passando, o que você
está vendo. E fico feliz em ter um público assim
já há muito tempo, bem antes do clipe.
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Entendo.
Mas pelo visto, você gostou dessa nova forma de divulgação...
Ah, sim, eu adorei. Para mim, é um grande desafio traduzir
a música em imagens. Nesse ponto, “Bertulina”
foi bem simples, porque a música é uma narrativa,
e embora o vídeo tenha muito simbolismo, tem uma estrutura
bem sólida. “Linha Direta” já foi uma
coisa mais abstrata, mais desafiadora, porque... (pausa) Bem, eu
queria capturar nesse (vídeo) a essência da mulher
defecada. Como diz a música, “tem que ter veia”,
e essa mulher está para assumir uma grande responsabilidade,
entende? E finalmente, temos “O Amor Está No Ar”,
que é o oposto. Como a música, este é um vídeo
cheio de vida, de esperança, e eu queria que fosse bem divertido
e engraçado. Acho que foi uma bela oportunidade de resgatar
uma Marli que estava ausente há algum tempo. É uma
música cheia de sangue. Enfim, eu acho que esta é
uma forma maravilhosa de mostrar minha música.
Sendo
“O Amor Está No Ar” o último single
do “Colostro”, este é também o último
vídeo de uma música dele?
Não, eu vou fazer vídeos para “Galáctica”
e “Amor de Urubu”, que foram os singles antecessores
de “Bertulina”.
Ah,
isso são ótimas notícias. Como você
escolhe as músicas que vai lançar como single?
O Antônio e eu tentamos escolher o que achamos que melhor
representa diferentes aspectos do álbum. Claro que a Furacu
exerce grande poder nessa parte, mas agora eu tenho mais liberdade.
Eu não gosto de algumas decisões feitas no passado.
E essa foi uma das razões de eu ter lançado “A
Árvore Ginecológica”, porque eu tive total
liberdade para escolher as faixas que melhor representam aspectos
da minha vida. Afinal de contas, só o compositor e a própria
música sabem o que é melhor para ela.
É
difícil equilibrar o papel de mãe e o de artista?
Bem, eu não consigo separar. Eu sou uma artista quando
ponho meus filhos para dormir, ou quando passeio com eles. A música
é um órgão vital em mim. E quando eu estou
compondo, não deixo de ser uma mãe. Antes de ser
mãe, eu já era uma artista, a única diferença
agora é que dá mais trabalho arrumar tempo para
fazer outras coisas. Eu acabei me tornando uma mulher reclusa.
(Risos)
Qual
o seu próximo projeto?
Eu já estou trabalhando em um novo álbum.
Você
pode nos falar sobre ele?
Bem... Eu posso te dizer que é um capítulo totalmente
diferente, e está sendo bem desafiador. Eu não sei
descrever com palavras, então vamos esperar para que a
música fale por si mesma.
Uma
última pergunta... Eu estava ouvindo alguns de seus b-sides
semana passada, e uma coisa não me sai da cabeça:
Quem é “Seu Joaquim”?
Quem você acha que ele é?
Não
faço idéia.
Bem, milhares de pessoas têm sido postas contra ele, totalmente
alienadas por Dona Josefa. Alguns o chamam de terrorista. Pense
nisso.
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