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CONFUSA & CONFUNDIDA entrevista Marli
Por Claudenice Trabuco (Março de 2010)

O novo álbum de Marli, "Instalações Noturnas", foi lançado em 9 de fevereiro, e seu primeiro single, "Suave Peste Negra", já é um clássico. Marli conversou com
Confusa & Confundida sobre o novo trabalho, comparações com Lady Gaga e planos para o futuro.



O seu novo álbum Instalações Noturnas saiu no dia 9 de fevereiro. Sobre o que é este novo trabalho?
(Pausa) Bom, há uma instrução especial no encarte do disco que recomenda que você ouça à noite. (Risos) Esse é um álbum muito diferente do anterior porque a história contada aqui é muito mais abstrata. É uma estrada bem tortuosa. E eu diria que é sobre uma mulher que resolve entrar no buraco do coelho. É uma jornada semelhante à de Alice. Tem uma história de amor, então é a história de uma mulher apaixonada que mergulha num mundo desconhecido e experimenta dor, prazer, decepção e paranoia. E como a noite tem um papel importante nessas emoções.

Então você realmente acha que a noite é uma vaca preta?
(Gargalhadas) Sim, a noite é uma vaca preta. Eu sempre achei a noite algo muito fascinante. Mas não é qualquer noite. Eu queria criar uma atmosfera específica pra esse álbum, e é aí que entram as “instalações”. Tem a noite, mas também tem a eletricidade, as luzes da cidade, a fumaça das fábricas, o cachorro latindo na esquina, o cheiro de perfume, bebida e cigarro. E então, a fumaça do amor. Eu quero que você sinta a brisa da noite dos amantes, cheia de mistérios, prazeres e perigos.

Por que você decidiu incluir faixas instrumentais nesse álbum?
Porque elas fazem parte da história. Eu diria que, em termos de produção, esse álbum teve um processo bem parecido com o do Colostro. No início, não sabíamos o que estávamos fazendo. Antônio começou a improvisar no piano, me acompanhando enquanto eu tocava sintetizador, e estávamos produzindo uma espécie de trilha sonora para o momento. Estabelecendo o clima. Experimentamos muito com sons ambientes e ruídos, como o barulho da agulha no vinil e o som de trem que estão no álbum. Acho que desde o início eu sabia que queria fazer algo cinematográfico e com muitas camadas. É por isso que decidimos incluir as faixas instrumentais.

Musicalmente, o álbum aponta para direções nunca exploradas antes por você, flertando com jazz e blues. Como se deu esse processo?
Foi meio natural. Sempre me senti atraída por blues e jazz, e há algo misterioso nesses estilos que te diz que uma história está sendo contada. E aí a gente volta para as trilhas dos filmes das décadas de 40 e 50. Filmes noir, mais especificamente. E o drama, o suspense, eram construídos a partir de variações nesses estilos musicais, com muitos metais, e tal. Você já ouviu Moss Side Story, de Barry Adamson? Material muito importante. (Pausa) Então foi essa evolução mesmo, uma coisa levou a outra. A influência industrial, lógico, não pode ser dissociada, e você pode perceber isso em várias canções, como “Suave Peste Negra”, “Paisagem com Chaminés” e “Fumaça do Amor”.

Você mencionou Barry Adamson, que certamente foi uma influência. O que acha das comparações com estrelas atuais como Lady Gaga?
Me comparam a Lady Gaga? (Longa pausa) Droga, onde foi que eu errei? (Risos) Eu não sei, o tipo de música que ela faz não é o que me interessa no momento. Mas a acho muito interessante e divertida.

Como artista, você tem algum sonho que ainda não realizou?
Claro. Cada trabalho feito é a realização de um sonho, como é o caso de Instalações Noturnas. Mas tem muita coisa que eu ainda não fiz. Sou muito interessada em artes visuais, teatro, cinema... Faço vídeos porque acho muito importante representar visualmente a minha música. Ainda não fiz um musical. Ainda não fiz um livro de arte, com textos e fotos. Não lancei um álbum de Natal, nem um álbum de duetos. Lancei um álbum de remixes há alguns meses, algo que eu queria fazer há muito tempo. Mas eu não sei o que o futuro de Marli reserva para nós.




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