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Revista da Dona-de-Casa
A nova Marli numa entrevista íntima exclusiva sobre casamento, maternidade e o futuro.
Por Juarez Casanova

Você se sente feliz?
Oh, sim. Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo agora com meus dois filhos e meu marido, não há nada melhor no mundo que isso. Sinto que finalmente me encontrei. Eu não sou mais a mesma de antes, amadureci bastante desde que me tornei mãe. Sou uma pessoa mais sensível, generosa. Estou sentindo uma alegria de viver como nunca senti antes.

Para onde foi a Marli de “Ladra de Namorados”? Vendo você agora, não consigo imaginá-la matando outra pessoa de porrada.
(Gargalhadas) Eu não sei pra onde ela foi. Com certeza ela não mora mais aqui. Sabe, eu não perco mais o meu tempo com esses sentimentos ruins, como raiva e rancor. Isso faz mal. Agora eu tenho outras prioridades, tenho dois filhos lindos e me sinto bem melhor limpando o cocô deles, amamentando-os e cozinhando para meu marido. É assim que eu me sinto bem.


Você se arrepende de alguma coisa na sua carreira?
Definitivamente não. Tudo foi válido para minha carreira e para minha vida, e tenho muito orgulho de todos os meus trabalhos. (Pausa) Bem, talvez eu tenha falado demais sobre as minhas partes baixas (risos). Mas isso é passado, não gosto de ficar revirando o meu baú. Sabe, rever o passado é interessante, mas tenho coisa melhor pra fazer.

Você é revoltada com a Igreja?
Eu sou uma pessoa muito religiosa. Rezo todas as noites antes de dormir e peço pra Deus iluminar o meu caminho, e agradeço por tudo que ele me dá. Assim como toda boa garota católica (risos). Mas numa época da minha vida eu me revoltei com a minha criação severa e repressora, por isso resolvi usar meu trabalho para atacar não só o Catolicismo como outras religiões também. Mas isso não significa que eu adore o Diabo e seja uma menina má, como muita gente pensa.

Mas você disse que amava o Diabo numa entrevista...
(Risos) Meu filho, eu não me referia ao Príncipe das Trevas desses góticos e wannabes ridículos. Fui mal-interpretada. Não sou adepta de cultos satânicos e nem gosto de forças malignas, quero ficar longe disso. Quero um mundo melhor para os meus filhos. O Diabo ao qual me referia representava os meus sentimentos ruins e obscuros que eu precisei encarar ao longo dos anos. Aprender a lidar com esses sentimentos é muito importante para que você cresça e se torne uma pessoa melhor. Tive que reconhecer o meu egoísmo, minha arrogância e jogar tudo isso fora. E eu amo ter o poder de me olhar no espelho e me enxergar como eu realmente sou. Era só uma metamorfose.

Metamorfose?
Sim, aquela figura de linguagem...

É verdade que você tentou matar seu ex-marido, quando ainda morava em Ipirá?
Ele me maltratava muito. Todo dia me batia e me humilhava na frente das pessoas (com os olhos cheios de lágrimas). É verdade que uma vez roubei a espingarda dele e pensei em matá-lo, mas no fundo eu sabia que nunca teria coragem de fazer isso. A gente que é da roça passa essa imagem de cabrunco destemido, mas eu era só uma menina frágil e sonhadora. Então resolvi chocar o mundo dizendo que era a rainha do sexo e que não ligava pra nada e pra ninguém. Me meti a querer ser a superior.

Então você não era a rainha do sexo?
Na verdade, eu nunca fiz tanto sexo quanto falei nas minhas músicas. Era mais para chamar atenção. Claro que eu adoro fazer e falar sobre sexo, mas você sabe, ninguém pode ser uma ninfomaníaca desse jeito (risos). Mas nunca fui falsa. Expressei o que eu estava sentindo na época, e eu me sentia como uma cadelinha sem dono perdida na rua.

Pelo visto você agora tem dono. Gosta da vida de casada?
Gosto muito! E eu sinto que me torno uma esposa melhor a cada dia. Amo o meu marido, e gosto de ter um homem acordando ao meu lado todos os dias, sentindo o bafo dele de manhã, de fazer a comida dele, essas coisas que toda esposa faz. Confesso que me senti estranha no início, mas agora estou feliz por ter um homem me protegendo e sendo o chefe da família. Virei uma dona-de-casa do cacete. É um mundo diferente, eu não fazia os serviços de casa com tanto gosto nos meus tempos de empregada doméstica...

E sobre a maternidade? No início você não parecia muito confortável com a idéia...
É, eu ainda não tinha me encontrado. Ainda era uma cadela raivosa quando tive o Andrézinho. Mas com o tempo aprendi coisas importantes na vida e percebi a luz que meu filho representou no meu caminho. Quando eu parei pra olhar aqueles olhinhos grandes brilhando pra mim, minha vida mudou. Não consigo mais imaginar como seria minha vida sem meus filhos, eles são a razão da minha existência. Sou uma nova pessoa por causa deles. Agora eu entendo o verdadeiro significado do meu colostro.

Quais são os seus segredos de beleza?
Meninas, não se estressem. Equilíbrio, paciência e bom humor são os três ingredientes essenciais para manter-se bela e jovem. Adoro fazer exercícios, toda manhã faço cooper e malho 4 horas por semana. Veja só os meus músculos (mostrando os avantajados bíceps). Também não fumo, não bebo e nem tomo pílulas para dormir, anti-depressivos e tal. E não como carne nem derivados do leite.

Você se interessa por moda?
Claro, meu filho! Eu sempre fui louca por moda, coleções, essa merda toda. É um negócio estranho, eu me divirto, embora não perca muito tempo com isso. Gosto de saber das novas tendências, de assistir desfiles e ver revistas com fotos daquelas pobres coitadas desnutridas. Mas sabe, temos tanta coisa pra se preocupar. Há muita miséria no mundo, crianças com fome, guerras... Eu fico realmente chocada quando vejo uma velha esticada, postiça e com o rabo cheio de dinheiro pagando milhões em roupas ridículas enquanto pessoas morrem de fome e frio por aí.

E o futuro? Você pode contar algo sobre os seus próximos projetos?
Atualmente eu estou produzindo um álbum com o Witched. Eu estou trabalhando nesse disco há oito meses e espero lançá-lo em breve. Vamos ter outras colaborações também nesse disco, vai ser chocante. Eu também estou escrevendo um livro infantil que deve ser lançado ainda esse ano, que fala sobre preconceito racial entre as crianças. E também estou desenvolvendo um projeto ultra-secreto, do qual eu não posso falar nada ainda.

Nenhum detalhe?
Não.

Obrigado.
De nada.


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