Marli
não canta bem e faz músicas. Tolo é aquele
que num breve momento de distração ou cansaço
mental, tenta preencher a cabeça com porcarias do YouTube
e assiste aos clipes musicais dessa incrível cantora,
interpretando sua obra como uma piada, digna somente de algumas
fúteis risadas. Seu nome simples é também
revolucionário pelo fato de não ser meramente
artístico. M-a-r-l-i: Tão pequeno quanto seus
primeiros quinze minutos de fama e tão apaixonante que
caberia na letra de qualquer criança pré-alfabetizada.
Uma artista não reconhecida, uma voz àqueles que
como ela, usam a arte como uma forma de expressão popular
da alegria e dos medos humanos; um exemplo de que a arte não
é meramente séria e bela. Marli é uma cantora
original demais para se encaixar nos padrões modernos
de uma beleza mórbida; brilhante o bastante para não
sujeitar a veiculação de suas obras a uma mera
produtora musical; sensível o bastante para mudar os
padrões do trash.
Nascida
no dia 12 de outubro de 1983, na pequena cidade de Ipirá
(BA), a cantora viveu uma infância tranqüila e humilde.
Aos 14 anos deixou o colégio e aos 17 mudou-se para Feira
de Santana para tentar melhorar a vida. No mesmo ano, arranjou
um emprego de doméstica em uma simples casa da cidade.
Foi aí que Marli conheceu Antônio, filho dos donos
da casa que teve a incrível idéia de publicar
as estranhas músicas que sua inusitada hóspede
cantava com tanta expressão e estilo. E assim, ela finalmente
pôde publicar seus dons artísticos que a tantos
anos viviam reprimidos e latentes, encontrando na internet,
a solução para seus problemas de divulgação.
Em
2002, Marli, produziu os primeiros singles de grande sucesso
“Sagrada” e “Ladra de Namorados”, que conquistou a aceitação
do público trash e consagrou Marli em sua carreira. Hoje,
a jovem baiana conta com a publicação de quatro
álbuns "Rainha das Trevas", "Virgem Brasileira",
"Eu Gosto de Louvar" e "Colostro", uma trilha
sonora de uma minissérie escrita de seis capítulos
denominada "Uma Garota do Cacete" e a coletânea
"A Árvore Ginecológica", sem contar
vários outros singles posteriormente publicados. Em fevereiro
de 2006, Marli concordou em finalmente gravar seus primeiros
videoclipes: "Bertulina", "Linha Direta",
“O amor está no ar”, dentre outros.
Apesar
do sucesso ao estilo trash, Marli interpreta suas músicas
como uma “forma de se divertir”. Assim como uma boa parte de
todo bom conteúdo do seu estilo artístico trash,
a nossa musa negra não tem fins lucrativos com as suas
obras. “Os CDs da Marli não existem de fato. O que fazemos
é totalmente voltado para a Internet. Os arquivos mp3
das músicas podem ser todos baixados aqui no site (http://www.marli.cjb.net),
e não lucramos absolutamente nada com isso. Se você
encontrar algum cd da Marli à venda (o que é difícil)
não compre, pois é falso”, explica Antônio,
“produtor” da Marli que utiliza o pseudônimo de Witched
nas obras divulgadas. Essas e outras informações
exclusivas sobre a Marli podem ser conferidas no endereço
http://www.geocities.com/marlifanclub/faq.html.
Apesar
da sua origem humilde e das suas obras voltadas para uma “realização
pessoal”, Marli é hoje uma representação
crítica às grandes famosas como Madonna e Björk,
numa versão exagerada e, porque não, “avacalhada”
dessas cantoras. Apesar, dos constantes termos chulos e muitas
vezes despudorados da cantora, o seu sucesso, segundo Antônio,
não se limita somente a essa vertente do trash, que tenta
conquistar o público pela baixaria. “Gostamos de explorar
temas polêmicos como sexo e religião em boa parte
das músicas, sempre com uma boa dose de humor negro.
Mas como uma boa artista versátil e conceitual, Marli
está sempre mudando o estilo e os temas, o que se reflete
tanto nas letras quanto na produção e sonoridade
das músicas. Uma das principais idéias é
não deixar que essa artista, embora caseira, seja vista
como uma figurinha fácil do trash. A intenção
é fazer um "trash de conteúdo", fazendo
músicas e letras de todos os estilos, e usando referências
a vários elementos.”, ressalta Antônio.
Ao
se intitular como a criadora do novíssimo estilo musical
“Música popular de Cozinha”, a cantora mistura ritmos
nem um pouco harmônicos combinados com uma entonação
de voz inapropriada à música, o que resulta em
um resultado não agradável aos ouvidos, mas muito
atraente à proposta da cantora. Sua vida longe das câmeras
não é muito glamurosa.
É
preciso deixar claro que Marli é uma pessoa não
teve muito acesso à educação e informação,
mas que apesar disso, gerencia a divulgação de
suas obras e responde a todos os pedidos de seus fãns
com muito carinho. “A Marli tem consciência de tudo o
que se passa. Ela tem consciência inclusive da sua própria
ignorância em relação a certos detalhes,
tais como coisas que ela canta e não compreende. Ela
não sabe como funciona a Internet, por exemplo, mas sabe
que é o meio através do qual as pessoas tem acesso
às músicas e aos clipes. (...) e sabe que as pessoas
vêem, ouvem, dão opiniões, fazem elogios
e críticas. Eu leio os e-mails para ela e passo todas
as informações a respeito do que está se
passando. Foi ela, inclusive, que teve a idéia de gravar
a primeira mensagem aos fãs”.