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RAINHA DA COZINHA
Por John Tramontina


Ela já foi a rainha das trevas, a ladra de namorados, a virgem brasileira, e agora é absolutamente mãe. Sem perder a safadeza e a ousadia características, Marli nos recebeu em sua mansão disfarçada de barraco de favela em Feira de Santana, Bahia. "Você vê todos esses móveis acabados e encardidos. As pessoas são sabem o que eu guardo no subsolo", gargalha a diva enquanto sacode seu primeiro bebê, Marcos André. "Esse menino me coloca doida. Caga na minha mão, golfa na minha cara. Eu não presto pra ser mãe. Pra que fui arranjar isso, meu Deus?", indaga Marli, rindo da própria (des)graça. Marli se tornou superestrela rapidamente quando trabalhava como empregada doméstica na casa do garoto que disponibilizou músicas suas na Internet. Hits como "Ladra de Namorados", "Sagrada", "Virgem Brasileira" e "Eu Gosto de Louvar" tornaram Marli a maior diva do pop culinário contemporâneo. Sem vergonha na cara e sem papas na língua, a fogosa negra encantou a todos com sua voz sexy e manhosa, e com as palavras ditas erradas, típico de uma garota troglodita de Ipirá. "Trogrodita? Não sou, não. Eu sou é gostosa", defende-se. "Tão gostosa que eu to vendo o seu pau duro pulando pra fora da sua calça. Assim como vão ficar os paus dos leitores da Rolling Stone quando as minhas fotos saírem". Ela deve estar certa, não? Se ela teve vergonha para posar para nós?

"Nem um pouco. Estava mais do que na hora de eu arregaçar o que eu falo tanto em minhas músicas." Marli é a primeira mulher que posa totalmente nua para a Rolling Stone. Sem dúvida, não há estrela mais adequada para essa inauguração. O último álbum de Marli, "Eu Gosto de Louvar", é seguramente um dos mais marcantes da história do pop. Até o Papa se meteu na história, quando o primeiro single, a faixa-título, foi lançado. "Eu não entendi. Não ofendi o Papa, muito menos a Igreja Católica. Eu só cantei na música o que eu sentia e o que eu gosto de fazer todo dia". Marli não tem medo de meter o dedo nas feridas da sociedade, falando abertamente sobre sexo, religião, adultério, e até necrofilia, que é o tema do seu mais novo single, "Cemitério", dueto com o cantor ALZ. Boatos a parte, diz-se que os dois tiveram um caso durante as gravações da música. "Olha, cara, eu sei que tenho fama de quenga, mas eu não dou pra qualquer um. Não quero ofender o ALZ, mas pra falar a verdade, nós nem chegamos no motel. Só porque eu fui gravar a música sem calcinha as pessoas inventam coisas". Diferente das atuais estrelas pop, Marli não canta sobre amor, relacionamentos amorosos ou a dor da separação. Ela se mostra superior ao sexo oposto. Ela xinga o cara. Ela mata a vadia com quem ela foi traída. Ou até se une à vadia para mostrar que os homens não servem para nada. "Mulher é bicho bom, irmão. Aqueles peitinhos durinhos, bundas arrebitadas. Já comi um monte (risos incontroláveis)". Mulheres costumam mudar após a maternidade. Não é o caso de Marli. "Idiota é quem acha que eu vou ficar com esse menino. Eu vou dar é pra mainha criar". Com apenas 20 anos, Marli não sente a mínima responsabilidade materna. Quer voltar à vida mundana de antes, batendo em moleques, rindo da desgraça alheia e beijando muito a boca dos homens. Ela até já perdeu a conta de quantos já deram uma com ela. "Perdi a virgindade com 9 anos. Você acha que eu me lembro quantos já tchaca tchaca na mutchaca comigo nesses 10 anos? (fortes gargalhadas)". Dona de uma risada contagiante, Marli não está nem aí para a opinião dos outros quando o assunto é "aquilo". Por outro lado, a diva envergonha-se ao relembrar dos tempos da roça, quando voltava para a casa à noite e tinha que atravessar caminhos escuros envoltos em moitas e arbustos. "Eu tinha medo do lobisomem. Ninguém me acredita, mas eu vi! É um bicho do zoião, os dentes afiados... Mainha trancava as portas de casa, mas depois da lua cheia, sempre aparecia mulher morta lá na roça". Outro medo da garota é o de ser estuprada. "Uma vez quase eu fui estrupada, menino. Eu tava voltando da Universal de noite, e um cara de moto me ofereceu carona. Ele desviou o caminho, mas eu nem liguei na hora. Aí a gente chegou num casarão arrombado, ele me levou lá pra dentro e disse: 'Agora eu vou te comer, sua puta! Se fizer cu doce, leva porrada! Melhor ficar assada embaixo do que cheia de hematoma na cara'. Eu fiquei com muito medo, mas concordei. Baixei minha calcinha e disse: 'Toda sua'. Aí ele: 'Toda sua o caralho. Eu quero comer é atrás'. Aí eu comecei a gritar, quando um vizinho ouviu e deu tiros para cima. Aí o cara saiu correndo e eu fiquei lá me recuperando. Voltei pra casa a pé, segurando a alça rasgada da blusa". Marli relata a história triste, mas no final desmancha-se em gargalhadas. Estupro não é algo bom, mas Marli é assim mesmo. Ri até mesmo confessando que tentou homicídio com seu ex-marido, que a cobria de porrada e a obrigava a tirar leite das vacas todas as madrugadas. "Cheguei a roubar a espingarda dele pra matar o desgraçado. Mas não consegui, e acabei fugindo pra Feira de Santana. O resto da história todo mundo já sabe." Perguntada sobre os projetos futuros, Marli fez segredo. "Não posso dizer muita coisa, mas depois que terminar de promover meu álbum, vou lançar material novo no início do ano". Uma coisa é certa: mais escândalos vêm por aí. Afinal, é a única coisa que podemos esperar dela.

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