NOTURNA
Perdida
na escuridão
E na confusão
“Não tenha medo”,
ela disse pra mim
Eu
calo e engulo
Não há nada errado comigo
Eu embaço o borrão
Não há nada errado comigo
Perdida
na escuridão
E na contramão
“Não tenha medo”,
Eu disse pra mim
Eu
ouço a voz
A voz do amor
Flutuando no sertão
Flutuando na escuridão
Eu te vejo lá
ESTÁ CHOVENDO ESTRELAS
Não
olhe
Elas estão caindo
Sobre as nossas cabeças
Está chovendo estrelas
A lua se escondeu
Não consigo achar o meu
Pro-lon-ga-men-to
Foi-se com o vento
Mim
é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar
Está
chovendo estrelas
Afiadas como espadas
Estrelas do céu
Agora no chão
Andando sobre estrelas
Estrelas fora de época
Chove, chove,
Noite alagada de luz
Mim
é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar
Todo
mundo brilhando
Encharcado de estrela
Está chovendo estrelas
Estrelas na sua telha
Mim
é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar
Mim
é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar
Está
chovendo estrelas
SUAVE PESTE NEGRA
Essa
é a preparação
Para a contaminação
Abra o seu coração
Para a luz na escuridão
Amores
em negrito
Abençoando o que é maldito
Apenas ouça o seu grito
Ecoando no infinito
Suave Peste Negra
Esse
é o preparamento
Para o corrompimento
Apenas sinta o vento
Trazendo o encantamento
Quando
se põe o sol
E voa o rouxinol
Você traz o etanol
E eu acendo o farol
Suave
Peste Negra
ÓRGÃO INDUSTRIAL II
(Instrumental)
FUMAÇA DO AMOR
Eu
sinto
A fumaça do amor
Do cimento do túmulo
Até minha boneca de néon
A
lua é de prata
E eu ouço uma guitarra
Arranhando nossos corações
Vamos descer mais a rua
Lá
embaixo
A fumaça do amor
Dançarinas de cereja
Que eu misturo com licor
O
vento sopra
Com ele, a fumaça
Entre batidas onduladas
Eu não consigo ver mais nada
Eu
sinto
A fumaça do amor
Quando estou sozinha
Sozinha na esquina escura
EU VOU CHOPAR ELA
É
nos afazeres da cozinha
Que o amor é verdadeiro
Entre besouros e formigas
A barbárie feminina veio
Eu
não sou uma garotinha
Tenho uma história de açougue
Se alguém tocar a campainha
Tem que respeitar o meu homem
Mas
não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Eu não posso, não admito
Tá na hora, eu digo e repito
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!
Construímos
uma vida
De amor e compreensão
Só fico feliz quando estou roxa
E ele gosta de beterraba
É
um conflito tão íntimo
Que detém todo o poder
À Sagrada Família
Que não inclui você
Mas
não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Eu não posso, não admito
Tá na hora, eu digo e repito
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!
Ela
quer servir de ovo
Pro meu bolo de coco
Eu vou chopar ela
Eu vou chopar a mãe dela
Eu vou chopar o cachorro dela
Eu vou chopar a vida dela
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!
CANHÃO SEGUIDOR
Sinto
muito
Eu fiz o que podia fazer
E você pode sim dizer
Que o tempo acabou
Eu faço mais do que macarrão
E não estou cansada
Essa é só a minuta, querida
Acabei de pegar a estrada
Nesse
crepúsculo gelado
O velho, a morte e meu sonho intocado
Ironia de lágrimas que ilude o seu fim
Menina, junte as suas mãos
Como uma oração
Dê prazer ao seu chiclete
E abençoe o chão
Fausto quer que você ande na linha
E diz que é hora de você deixar
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
É
nesse palco
Que você pode me beber
E eu me ensinei a ver
Que nossa lei é aparecer e crescer
Vozes que te dizem não
Palavras que machucam o coração
Você tenta me roubar, querido
Mas eu te dou minha canção
Nesse
crepúsculo gelado
O velho, a morte e meu sonho intocado
Ironia de lágrimas que ilude o seu fim
Menina, junte as suas mãos
Como uma oração
Dê prazer ao seu chiclete
E abençoe o chão
Fausto quer que você ande na linha
E diz que é hora de você deixar
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
INOCENTE EM MEUS SONHOS
Dizem
que o sol pode
Não nascer amanhã
Mas eu não acredito numa coisa dessas
Podemos nos apaixonar
Em qualquer lugar
Nisso eu posso acreditar
Quando
eu faço
Algo errado
Você diz que eu não posso consertar
Mas há pessoas
Que vêem do outro lado
E estão prontas para me atacar
Porque
elas estão certas
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos
Se
uma caixa encontra
O caminho até aqui
Um cavalo selvagem
Em busca de liberdade
Vai trazer o futuro pra mim
Quando
eu faço
Algo errado
Você pode até me algemar
Mas eu sei
Que meu diadema
Pode até antes te enforcar
E
você está certo
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos
Vai
chegar o tempo
Em que as pessoas
Jogarão seus brinquedos pela janela
Eles irão cair
Irão quebrar
Mas a inocência ainda poderá ficar
É
o meu couro
Minha borracha
Que sabem a hora de matar o prazer
Quando ele é mau
Quando o temporal
Faz desabar o lar de quem quer viver
E
todos estão certos
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos
Inocente
em meus sonhos
PAISAGEM COM CHAMINÉS
(Instrumental)
BRUXAS E VIÚVAS
Forasteiro
Pra descobrir o recheio
Do pastel do desejo
Se é de carne ou se é de queijo
Vire à esquerda
Forasteiro
Tem uma janela aberta
Que ninguém ousa entrar
Mas se você quiser arriscar
Vire à esquerda
Não
há o que temer
Entre as bruxas e as viúvas
Não pode se esconder
Entre as bruxas e as viúvas, baby
Cerveja, calíope
Somente um bozó escorrendo
Me ame, me ame agora
E previna o vazamento
Forasteiro
Você é o osso da galinha
Se você é mais forte
Que a carne ou o sangue
Vire à esquerda
Forasteiro
Seu celular não tem sinal
Mas se você quer usar
O meu orelhão
Vire à esquerda
Não
há o que temer
Entre as bruxas e as viúvas
Não pode se esconder
Entre as bruxas e as viúvas, baby
Cerveja, calíope
Somente um bozó escorrendo
Me ame, me ame agora
E previna o vazamento
OPERETTA / A VOZ DO CORAÇÃO
Não
há nada maior
Do que não ouvir
A voz do coração
Não sei o que há
Não sei o que faço
Não vou falar
Eu escuto a sua voz
Pra mim, mais não dá
Acabou
Eu não sei pra onde vou
Não sei se acho o caminho
Estou sem direção
Vou seguir, mas eu chego lá
Assim
não dá, não dá
Vou procurar o meu lugar
Vou mergulhar
Estou aqui
Cheguei ao meu caminho
Eu vou me desabafar
Vou enfiar a cara na água
Vou beber, vou me acabar
O ARCABOUÇO DE ALAÍDE
Na
próxima esquina
Eu vou tomar uma decisão
Mulher como eu sou
Encharcada de amor
Sofre esse tipo de decepção
Eu não sei que dia é hoje
E essa chuva me confunde
E o cachorro latindo ao longe
Parece chamar meu nome
Eu
vi ele me chamando
Estava sem camisa do outro lado
Me oferecendo um café
Achei que ele sabia quem eu era
“Caralho, man”
Eu disse que tava doida
Ele me pegou pela mão e falou
“Moça bonita, eu vou te dar amor,
mas você tem que me dar
a sua alma.
Vamos fazer um pacto?”
Eu disse que a dona da minha alma
Era Alaíde
Alaíde, Alaíde
Ele
foi ver Alaíde
E ela disse que a escolha é minha
Mas que ela já estava feita
Bem antes de eu nascer
No Oriente Médio, minha mãe dançou
Com uma bala na cabeça
Que tipo de mãe é essa
Que tem essa ideia
De fazer sacrifício de ovelha
Com o cão na barriga?
Eu disse “eu vou morrer”
Mas eu já tinha morrido
E o homem me enfiou dentro do saco
E sorriu: “Hoje é minha vez”
Eu
espero o amanhã
Com meu melhor sorriso desesperado
Enquanto minha carne é servida
Nos melhores restaurantes
Eu sei que isso já aconteceu antes
Mas agora é diferente
Agora a fornalha é mais quente
E minha garganta sabe gritar
Aí vem gente
Vem gente pra me buscar
Alaíde,
Alaíde
A CHEGADA DE LAMPIÃO AO INFERNO
Lampião
foi no inferno
Com a caveira do boi
Agarrou na perna do cão
Ele só ouviu gritar “oi”
Cortou o pescoço do cão
Ele gritou “oi, oi”
Corre do cão, ô, Lampião,
Com a caveira do boi
BAILARINA
Os
corvos estão na rua
E os corpos no salão
Meu sonho está na lua
Onde está meu coração?
Onde está meu coração?
Você
me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina
Os
cigarros estão fumados
O tempo vai com o caminhão
O frio e nós congelados
Como tirar meus pés do chão?
Como tirar meus pés do chão?
Você
me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina
O
amanhã parece incerto
As crianças ainda dormirão
Mas o diabo está por perto
Me deixe segurar sua mão
Me deixe segurar sua mão
Você
me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina
RAINHA DE PAUS
Um
dia ela também vai ficar velha
E talvez você ainda veja o meu rosto
Te dizendo pra entender
Que dentro do espelho
Não cabe muito mais que você