2010 INSTALAÇÕES NOTURNAS

NOTURNA

Perdida na escuridão
E na confusão
“Não tenha medo”,
ela disse pra mim

Eu calo e engulo
Não há nada errado comigo
Eu embaço o borrão
Não há nada errado comigo

Perdida na escuridão
E na contramão
“Não tenha medo”,
Eu disse pra mim

Eu ouço a voz
A voz do amor
Flutuando no sertão
Flutuando na escuridão
Eu te vejo lá


ESTÁ CHOVENDO ESTRELAS

Não olhe
Elas estão caindo
Sobre as nossas cabeças
Está chovendo estrelas
A lua se escondeu
Não consigo achar o meu
Pro-lon-ga-men-to
Foi-se com o vento

Mim é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar

Está chovendo estrelas
Afiadas como espadas
Estrelas do céu
Agora no chão
Andando sobre estrelas
Estrelas fora de época
Chove, chove,
Noite alagada de luz

Mim é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar

Todo mundo brilhando
Encharcado de estrela
Está chovendo estrelas
Estrelas na sua telha

Mim é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar

Mim é um lírio do coração meu
Quando você ser o que é meu
E na hora que eu vai brilhar
Na constelação do seu mar

Está chovendo estrelas


SUAVE PESTE NEGRA

Essa é a preparação
Para a contaminação
Abra o seu coração
Para a luz na escuridão

Amores em negrito
Abençoando o que é maldito
Apenas ouça o seu grito
Ecoando no infinito

Suave Peste Negra

Esse é o preparamento
Para o corrompimento
Apenas sinta o vento
Trazendo o encantamento

Quando se põe o sol
E voa o rouxinol
Você traz o etanol
E eu acendo o farol

Suave Peste Negra


ÓRGÃO INDUSTRIAL II

(Instrumental)


FUMAÇA DO AMOR

Eu sinto
A fumaça do amor
Do cimento do túmulo
Até minha boneca de néon

A lua é de prata
E eu ouço uma guitarra
Arranhando nossos corações
Vamos descer mais a rua

Lá embaixo
A fumaça do amor
Dançarinas de cereja
Que eu misturo com licor

O vento sopra
Com ele, a fumaça
Entre batidas onduladas
Eu não consigo ver mais nada

Eu sinto
A fumaça do amor
Quando estou sozinha
Sozinha na esquina escura


EU VOU CHOPAR ELA

É nos afazeres da cozinha
Que o amor é verdadeiro
Entre besouros e formigas
A barbárie feminina veio

Eu não sou uma garotinha
Tenho uma história de açougue
Se alguém tocar a campainha
Tem que respeitar o meu homem

Mas não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Eu não posso, não admito
Tá na hora, eu digo e repito
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!

Construímos uma vida
De amor e compreensão
Só fico feliz quando estou roxa
E ele gosta de beterraba

É um conflito tão íntimo
Que detém todo o poder
À Sagrada Família
Que não inclui você

Mas não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Não se preocupe, garoto
Porque sou eu que faço a sopa
Eu não posso, não admito
Tá na hora, eu digo e repito
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!

Ela quer servir de ovo
Pro meu bolo de coco
Eu vou chopar ela
Eu vou chopar a mãe dela
Eu vou chopar o cachorro dela
Eu vou chopar a vida dela
Eu vou chopar ela
Chopar todinha
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la-la-la-uh!


CANHÃO SEGUIDOR

Sinto muito
Eu fiz o que podia fazer
E você pode sim dizer
Que o tempo acabou
Eu faço mais do que macarrão
E não estou cansada
Essa é só a minuta, querida
Acabei de pegar a estrada

Nesse crepúsculo gelado
O velho, a morte e meu sonho intocado
Ironia de lágrimas que ilude o seu fim
Menina, junte as suas mãos
Como uma oração
Dê prazer ao seu chiclete
E abençoe o chão
Fausto quer que você ande na linha
E diz que é hora de você deixar
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor

É nesse palco
Que você pode me beber
E eu me ensinei a ver
Que nossa lei é aparecer e crescer
Vozes que te dizem não
Palavras que machucam o coração
Você tenta me roubar, querido
Mas eu te dou minha canção

Nesse crepúsculo gelado
O velho, a morte e meu sonho intocado
Ironia de lágrimas que ilude o seu fim
Menina, junte as suas mãos
Como uma oração
Dê prazer ao seu chiclete
E abençoe o chão
Fausto quer que você ande na linha
E diz que é hora de você deixar
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor
Seu canhão seguidor
Com a cor da sua dor


INOCENTE EM MEUS SONHOS

Dizem que o sol pode
Não nascer amanhã
Mas eu não acredito numa coisa dessas
Podemos nos apaixonar
Em qualquer lugar
Nisso eu posso acreditar

Quando eu faço
Algo errado
Você diz que eu não posso consertar
Mas há pessoas
Que vêem do outro lado
E estão prontas para me atacar

Porque elas estão certas
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos

Se uma caixa encontra
O caminho até aqui
Um cavalo selvagem
Em busca de liberdade
Vai trazer o futuro pra mim

Quando eu faço
Algo errado
Você pode até me algemar
Mas eu sei
Que meu diadema
Pode até antes te enforcar

E você está certo
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos

Vai chegar o tempo
Em que as pessoas
Jogarão seus brinquedos pela janela
Eles irão cair
Irão quebrar
Mas a inocência ainda poderá ficar

É o meu couro
Minha borracha
Que sabem a hora de matar o prazer
Quando ele é mau
Quando o temporal
Faz desabar o lar de quem quer viver

E todos estão certos
E eu estou errada
E minha fantasia
É pro inferno a escada
Mas suas sirenes
Nesse mundo estranho
Me dizem que eu sou
Inocente em meus sonhos

Inocente em meus sonhos


PAISAGEM COM CHAMINÉS

(Instrumental)


BRUXAS E VIÚVAS

Forasteiro
Pra descobrir o recheio
Do pastel do desejo
Se é de carne ou se é de queijo
Vire à esquerda

Forasteiro
Tem uma janela aberta
Que ninguém ousa entrar
Mas se você quiser arriscar
Vire à esquerda

Não há o que temer
Entre as bruxas e as viúvas
Não pode se esconder
Entre as bruxas e as viúvas, baby
Cerveja, calíope
Somente um bozó escorrendo
Me ame, me ame agora
E previna o vazamento

Forasteiro
Você é o osso da galinha
Se você é mais forte
Que a carne ou o sangue
Vire à esquerda

Forasteiro
Seu celular não tem sinal
Mas se você quer usar
O meu orelhão
Vire à esquerda

Não há o que temer
Entre as bruxas e as viúvas
Não pode se esconder
Entre as bruxas e as viúvas, baby
Cerveja, calíope
Somente um bozó escorrendo
Me ame, me ame agora
E previna o vazamento


OPERETTA / A VOZ DO CORAÇÃO

Não há nada maior
Do que não ouvir
A voz do coração
Não sei o que há
Não sei o que faço
Não vou falar
Eu escuto a sua voz
Pra mim, mais não dá

Acabou
Eu não sei pra onde vou
Não sei se acho o caminho
Estou sem direção
Vou seguir, mas eu chego lá

Assim não dá, não dá
Vou procurar o meu lugar
Vou mergulhar
Estou aqui
Cheguei ao meu caminho
Eu vou me desabafar
Vou enfiar a cara na água
Vou beber, vou me acabar


O ARCABOUÇO DE ALAÍDE

Na próxima esquina
Eu vou tomar uma decisão
Mulher como eu sou
Encharcada de amor
Sofre esse tipo de decepção
Eu não sei que dia é hoje
E essa chuva me confunde
E o cachorro latindo ao longe
Parece chamar meu nome

Eu vi ele me chamando
Estava sem camisa do outro lado
Me oferecendo um café
Achei que ele sabia quem eu era
“Caralho, man”
Eu disse que tava doida
Ele me pegou pela mão e falou
“Moça bonita, eu vou te dar amor,
mas você tem que me dar
a sua alma.
Vamos fazer um pacto?”
Eu disse que a dona da minha alma
Era Alaíde

Alaíde, Alaíde

Ele foi ver Alaíde
E ela disse que a escolha é minha
Mas que ela já estava feita
Bem antes de eu nascer
No Oriente Médio, minha mãe dançou
Com uma bala na cabeça
Que tipo de mãe é essa
Que tem essa ideia
De fazer sacrifício de ovelha
Com o cão na barriga?
Eu disse “eu vou morrer”
Mas eu já tinha morrido
E o homem me enfiou dentro do saco
E sorriu: “Hoje é minha vez”

Eu espero o amanhã
Com meu melhor sorriso desesperado
Enquanto minha carne é servida
Nos melhores restaurantes
Eu sei que isso já aconteceu antes
Mas agora é diferente
Agora a fornalha é mais quente
E minha garganta sabe gritar
Aí vem gente
Vem gente pra me buscar

Alaíde, Alaíde


A CHEGADA DE LAMPIÃO AO INFERNO

Lampião foi no inferno
Com a caveira do boi
Agarrou na perna do cão
Ele só ouviu gritar “oi”
Cortou o pescoço do cão
Ele gritou “oi, oi”
Corre do cão, ô, Lampião,
Com a caveira do boi


BAILARINA

Os corvos estão na rua
E os corpos no salão
Meu sonho está na lua
Onde está meu coração?
Onde está meu coração?

Você me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina

Os cigarros estão fumados
O tempo vai com o caminhão
O frio e nós congelados
Como tirar meus pés do chão?
Como tirar meus pés do chão?

Você me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina

O amanhã parece incerto
As crianças ainda dormirão
Mas o diabo está por perto
Me deixe segurar sua mão
Me deixe segurar sua mão

Você me disse antes de partir
Que o demi-plié começa aqui
E como dançar, você me ensina
Para me resgatar, para eu chegar lá
Como uma bailarina
Como uma bailarina


RAINHA DE PAUS

Um dia ela também vai ficar velha
E talvez você ainda veja o meu rosto
Te dizendo pra entender
Que dentro do espelho
Não cabe muito mais que você