DAISY
NO RETROVISOR
E a fumaça
vai
Engolindo Daisy no retrovisor
Não a vejo mais
Ele me disse que vai
Te colocar sob a luz do refletor
Dinheiro no bolso
Uma casa pra mamãe, pro papai
E pros irmãos
É melhor se apressar,
É hora de ir pra traseira do caminhão
De
Vitória para o mundo,
Ela vai brilhar
Na janela pop-up que
Você clicar
Em todas as mentiras
Ela vai acreditar
Da revista de moda
Para a página policial
Parece
que eu estou perdida,
Sozinha na escuridão
Parece que não tem saída
Ninguém pra me dar a mão
Mas
se você
Encontrar a luz no fim do túnel
Não a deixe se apagar
E diga pra ela
Que eu estou a procurando
Tem
alguém
Esperando você num quarto de hotel
Aquele contrato
Significa outra coisa
Lá do outro lado do oceano
Ele confiscou
O seu passaporte, seus documentos
E os seus sonhos
Enxugue as suas lágrimas
Agora só falta retocar o seu batom
De
Vitória para o mundo,
Ela vai brilhar
Na janela pop-up que
Você clicar
Em todas as mentiras
Ela vai acreditar
Da revista de moda
Para a página policial
Parece
que eu estou perdida,
Sozinha na escuridão
Parece que não tem saída
Ninguém pra me dar a mão
Mas
se você
Encontrar a luz no fim do túnel
Não a deixe se apagar
E diga pra ela
Que eu estou a procurando
E
eu acabei de
Encontrar a luz no fim do túnel
Ela não vai se apagar
E ela disse pra mim
Que está te esperando
ALÉM DO ARCO-ÍRIS
Passando pelo
túnel
Indo pra Salvador
Me ajeitei na carroceria
Enquanto você olhava pra mim
O dia estava indo embora
E eu sabia que algo bom
Estava nos esperando
E fiz um desejo para uma estrela
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
Planos
que nós fizemos
No posto de seu Cristóvão
Ele fez um desconto
Eu disse que ao chegar lá
Conseguiria um lugar
Quem sabe na Boca do Rio
Você riu da minha cara
Isso me cortou como um vento frio
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
As
estrelas se apagaram
As estrelas se apagaram, meu amor
Como a última faísca do nosso amor
O vento soprou tão violento
Você partiu o meu coração
Você clonou o meu cartão
Eu fiquei tão triste
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
Depois
de Conquista
Já no recôncavo
Senti que Lucas da Feira
Queria me crucificar no tronco de mandacaru
Que piada mais sem graça
Adeus às correntes daquele navio
Adeus ao nosso djembê
Agora somos escravos nestas terras daqui
Acho
que somos mais bonitos na televisão
Somos as mesmas pessoas
Só que com um pouco de silicone
E tintura loira
Você sabe que anjos vêm e vão
Por toda essa estrada de chão
Agora estamos fora da lei
Ninguém pode mais nos dizer ‘não’
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
As
estrelas se apagaram
Se apagaram num piscar de olhos
Como o fogo do nosso amor
As estrelas se apagaram
As luzes ficaram para trás
Nessa estrada
E eu apaguei
E eu apaguei
E eu apaguei
Chegando
em Salvador
O sol finalmente nasceu
Apesar de tudo que se perdeu
Mira só o nosso Monte Pascoal
O tambor gira um pouco mais
Eu prometo que não vou olhar
Não vou olhar mais para trás
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
E
derramo as minhas lágrimas
Tentando te esquecer
Nossa história foi tão linda
Até você me perder
Achei que eu poderia ir
Além do arco-íris com você
TIRADENTES
Aqui no velho
Arraial Velho
Ela não acreditava na paz
Foi quando chegou Valadão
Voando num colorido balão
Ela sorriu e disse, “Sou Chica Esporão,
Quem chegar primeiro leva meu coração”
E o vicentino já vinha por chão
Quem
está no meio da multidão
Escolhe um lado ou cai no facão
De um jeito ou de outro, está em minha mão
O ouro pelo qual você matou seu irmão
Não precisa mais chorar
Ainda tem de onde tirar
Deus querendo, você chega lá
E
lá vai o bêbado carijó
Com a carne do português
E Chica esconde em Conceição
A verdade com tanta perfeição
Ela não se rendeu ao Capão de Traição
E até hoje ninguém sabe a combinação
E se você perguntar, ela vai dizer “não”
Quem
está no meio da multidão
Escolhe um lado ou cai no facão
De um jeito ou de outro, está em minha mão
O ouro pelo qual você matou seu irmão
Não precisa mais chorar
Ainda tem de onde tirar
Deus querendo, você chega lá
Tiradentes
A verdade está aqui
Em Tiradentes
Ela está escondida aqui
Em Tiradentes
Ela não vai dizer pra você
SANGUE
É tão
triste
Essa dor
Achei que nós dois
Tínhamos nascido um pro outro
Você partiu
Meu coração
Achei que esse fermento
Faria crescer o nosso pão
E
eu
Com minha lupa
Encontrei um fio
De cabelo no seu paletó
Esse cabelo
Não é cabelo
Dessa cabeça que
Agora chora no teu ombro
E
no fim
O que restou pra mim?
Teu sangue em minhas veias
Já acabou
Todo o amor
Que eu havia guardado na geladeira
Tentei
Me render
Não reagi, e você
Tirou tudo de mim
E pensei
Que ganharia
O seu amor em troca,
Mas ganhei uma punhalada
Agora
O que adianta
Essas sirenes tocando
Se já é tarde demais?
Eu perdi
Você tá por aí
Será que se lembra de mim
Quando olha para trás?
E
no fim
O que restou pra mim?
Teu sangue em minhas veias
Já acabou
Todo o amor
Que eu havia guardado na geladeira
É
tão triste
O vento insiste
Em soprar você pela
Janela do meu quarto
Que pena
Os tempos vão mudando
E eu vou tirar a rolha
Porque agora estou vazando
1901
Seu carrinho
de mão só anda devagar
Já são 6:57, o portão já vai fechar
Essa é a vingança das gomas de mascar
Que vão bombar em 1901
Minhas
irmãs e eu queremos dormir e sonhar
Pra que a gente no limbo se eu posso me salvar?
Três
quilos de farinha é o que eu tenho para dar
Tanta caixa, tanta lata, e um tanque pra refrescar
Eu não quero mais saber de baba no meu travesseiro
Cada minuto é menos um
Só com calcinha em 1901
A
mulher do agreste acendeu a sua tocha
E enfiou com tudo bem no cu de Glauber Rocha
“Eles foram pro outro lado, e só me restou o atum”
Cem anos e eu em 1901
Eu
vou de vestido cinza pra jurar o meu amor
E no meio do caminho ele vai mudar de cor
Três
quilos de farinha é o que eu tenho para dar
Tanta caixa, tanta lata, e um tanque pra refrescar
Eu não quero mais saber de baba no meu travesseiro
Cada minuto é menos um
Só com calcinha em 1901
Levante
a cabeça e arrume suas malas
Ninguém vai notar que você é uma delas
Assim como a verdade que ninguém viu
Escondida nesse tal de Brasil
CACHAÇA
Nunca achei que
fosse uma ilusão
Nunca achei que fosse me estender a mão
Mas eu percebi que precisava de você
No vale do Guaporé, esperando o anoitecer
Tomei
sua cachaça pra ficar sóbria
Deixei sua cachaça contar a história
Baixei a guarda
Me senti nua
Agora o seu ouro é meu e minha casa é sua
Achei
que tinha escondido tão bem
Achei que alguém me tiraria da linha do trem
Confiei minha vida em bolas de bilhar de marfim
Quase dava o tangolomango em mim
Tomei
sua cachaça pra ficar sóbria
Deixei sua cachaça contar a história
Baixei a guarda
Me senti nua
Agora o seu ouro é meu e minha casa é sua
De
mãos dadas pela estrada
Correndo para o amanhã
Mesmo sabendo que esse caminho vai se bifurcar
Se os meus versos te guiarem pelas ondas dessa vida
Rapaz, eu nunca fui uma garota tropicalista
Tomei
sua cachaça pra ficar sóbria
Deixei sua cachaça contar a história
Baixei a guarda
Me senti nua
Agora o seu ouro é meu e minha casa é sua
Talvez
amanhã eu não esteja mais aqui
Talvez eu não me lembre mais de nada
Mas quando eu estiver no topo da montanha mais alta
Vou abrir essa garrafa
E tomar um gole da sua cachaça
NOSSA SERINGA
Melhor apagar a luz
E pegar o seu muiraquitã
Em luas como a de hoje
Nunca se sabe o que virá
No sul, dizem que se corta
A minhoquinha do neném
E eles vão só nos explorar
Você vem comigo ou não vem?
Aperte a borracha
“Cadê
a veia?”
É nossa seringa
O vento sopra
E o fogo se espalha
Teresinha,
Corra pra floresta
Sacrifique os nossos filhos
E espere a chuva chegar
Vamos
com ele
Ele é a Luz
E virá pra mim
E pra você
Traga o pó
Prove da carne
E ofereça a ele
Ele é a Luz
E virá pra mim
E pra você
A
gralha me contou
Que eles virão com um jesuíta
Quem sabe amanhã
Tomarão conta do governo
E agora todos sabemos
Que na verdade estamos sós
O filho da galinha maligna
Está vagando nos igapós
Guarde na garrafa
“Cadê
a veia?”
É nossa seringa
O vento sopra
E o fogo se espalha
Teresinha,
Corra pra floresta
Sacrifique os nossos filhos
E espere a chuva chegar
Vamos
com ele
Ele é a Luz
E virá pra mim
E pra você
Traga o pó
Prove da carne
E ofereça a ele
Ele é a Luz
E virá pra mim
E pra você
Abaixe
a sua arma
Mas não diga que é o fim
Abaixe a sua arma
E diga o segredo pra mim
Me dê as suas mãos
E não olhe para trás
E me diga por quê
Alguém sempre tem que morrer
HOJE NÃO TEM MANIÇOBA
Hoje não
tem maniçoba
Hoje não tem homem correndo no mato
Aquieta esse rabo
Agora você pode passar
Só tem carcaça e urubu no caminho pra Belém
Hoje
não tem maniçoba
Hoje ele vai sair da cadeira de rodas
O dono foi embora
Mas eu acho que o presidente
Não pagou o suficiente
Para alimentar a sua tropa
“O
meu bago de macaxeira
Tem mais suco do que a sua fruta inteira”
Ricardão disse pra mim
“Se você acha que é bom o bastante
Pra roubar a cena que foi escrita pra mim
Minha bala não é de festim”
E ela vai bem pro meio da sua testa
Mi casa, tu casa
O
meu pai é um PM, um jagunço e um fazendeiro
Que amava um lavrador
Ele é tão gente fina
Que me deu pra messalina
Que vendeu uma menina
Em nome do amor
“Eu
não acho que a vida é tão melhor
entre as mangueiras pra lá da PA-150”
Me disse o tupinambá
Ele sabe que o norte é mais embaixo
E o buraco de 1500 é o novo Grão-Pará
“O
meu bago de macaxeira
Tem mais suco do que a sua fruta inteira”
Ricardão disse pra mim
“Se você acha que é bom o bastante
Pra roubar a cena que foi escrita pra mim
Minha bala não é de festim”
E ela vai bem pro meio da sua testa
Mi
casa, tu casa
Mi casa, tu casa
Hoje
não tem maniçoba
Hoje não tem maniçoba
Hoje não tem maniçoba
ORAÇÃO À CABOCLA
Deste sangue aqui derramado
Ergue-se a cabocla à batalha
É aqui, me liberte do teu zelo,
Bendito bodoque
Cabocla Guerreira,
Concede este teu coração à terra
Dê-me a vida para te adorar
Okê-Cabocla
PLANALTO CENTRAL
Eu não sei quem é o monstro
Que está nos engolindo
Mais um gol e uma cerveja
Por que é que estamos rindo?
Parece
que nós nos reunimos
Para vibrar com a desgraça alheia
Queremos só uma distração
Coloca esse ladrão na cadeia
Um,
dois, três
Mais uma vez
O que é meu é de vocês
Só até o patrão dar um aumento
No próximo mês
Um, dois, três
Mais uma vez
O que é meu é de vocês
Só até o patrão dar um aumento
No próximo mês
É
mais fácil acreditar
Em liberdade de expressão
Na igreja ou no tribunal
Quem será que tem razão?
Põe
mais carne adolescente
Pra assar pelo impeachment
“Não temos nada contra ele
Exceto que ele é uma bicha”
Um,
dois, três
Mais uma vez
O que é meu é de vocês
Só até o patrão dar um aumento
No próximo mês
Um, dois, três
Mais uma vez
O que é meu é de vocês
Só até o patrão dar um aumento
No próximo mês
Jesus,
tenha piedade de mim
E tire esse exército
Que o Senhor colocou de guarda
No meu bulbo raquidiano
Eu
não sei quem é o monstro
Que está nos engolindo
Mais um gol e uma cerveja
Por que é que estamos rindo?
Ano
que vem pode ser pior
Melhor cortar pela raiz o mal
Será que eu sou uma mulher temperamental?
Ano
que vem pode ser pior
Melhor cortar pela raiz o mal
Dizem que ele está no Planalto Central
Dizem que ele está no Planalto Central
ALGODÃO DOCE
Seu caranguejo
sabe cantar?
Um mistério que toma meu nome em seu altar
Será que você e eu
fizemos a coisa certa?
Entre o certo e o duvidoso
É melhor ficar sempre alerta
Quando
o Sol se pôr
E tiver passado a dor
Coma um pedaço
Daquela nuvem
De algodão doce
Se
eu não tivesse uma bússola pra nos guiar
As estrelas iriam nos mostrar
A estrada pela qual nós devemos caminhar
Se
eu não tivesse uma bússola pra nos guiar
As estrelas iriam nos mostrar
Que a felicidade está no último lugar
Em que você iria procurar
É
tão bom a gente se sentir em casa
Com cada coisa em seu devido lugar
O de ontem é o de hoje
E será o de amanhã
Será que eu aprendi direito
A pintar sua beleza louçã?
Quando
o Sol se pôr
E tiver passado a dor
Coma um pedaço
Daquela nuvem
De algodão doce
Se
eu não tivesse uma bússola pra nos guiar
As estrelas iriam nos mostrar
A estrada pela qual nós devemos caminhar
Se
eu não tivesse uma bússola pra nos guiar
As estrelas iriam nos mostrar
Que a felicidade está no último lugar
Em que você iria procurar
Quando
o Sol se pôr
E tiver passado a dor
Coma um pedaço
Daquela nuvem
De algodão doce
ESSE ÔNIBUS NÃO VAI PRA SÃO
PAULO
Lá
As portas estão abertas
Lá
O varal tem espaço
40 milhões de luzes
Embaçadas através de suas lágrimas
O caminho está livre
O verde vai acender
Na
escuridão
Na escuridão
Quem disse que
não há tempo a perder?
E eu sei, você sabe
Eu sei que eu vou te encontrar
Eu sei que você
Vai me esperar até no fim do mundo
Eu sei, você sabe
Que eu vou chegar lá
Mas
esse ônibus não vai pra São Paulo
E eu danço entre o fogo e as balas
Estarei segura em seus braços
Até a vida nos levar
Esse ônibus não vai pra São Paulo
E eu danço entre o fogo e as balas
Estarei segura em seus braços
Até a vida nos levar dessa terra maldita
Lá
Sonhos afogados em diazepan
E agora
Tudo o que resta é saliva amarela
O vidro vai se quebrar
Vale a pena te procurar
Na
escuridão
Na escuridão
Quem disse que
não há tempo a perder?
E eu sei, você sabe
Eu sei que eu vou te encontrar
Eu sei que você
Vai me esperar até no fim do mundo
Eu sei, você sabe
Que eu vou chegar lá
Mas
esse ônibus não vai pra São Paulo
E eu danço entre o fogo e as balas
Estarei segura em seus braços
Até a vida nos levar
Esse ônibus não vai pra São Paulo
E eu danço entre o fogo e as balas
Estarei segura em seus braços
Até a vida nos levar dessa terra maldita
Esse
ônibus não vai pra São Paulo
Não vai, não vai
Pra São Paulo
Na escuridão
Vou gritar na escuridão
SARGENTO UNIÃO
Tarde quente
S angue fresco na areia do sertão
Acho que vou na carroça
Com o Sargento União
Terra
distante
De lá ainda escuto aquela canção
Parece que o destino
Nos arrastou para a escuridão
Você não precisa de amendoim
Pode esperar seu salvador
Mas eu posso curar a dor
Foi o que João me ensinou
V amos descendo a ladeira
Talvez Deus esteja lá
C omo bons soldados
Podemos achar um bom lugar
Chame
o coronel
Temos flores e pão fresco do dia
E também um segredo
Desse Sargento União
Ele pode se transformar em tudo
Uma borboleta ou um falcão
Eu descobri o que é o amor
E não sinto mais temor
Vamos descendo a ladeira
Talvez Deus esteja lá
C omo bons soldados
Podemos achar um bom lugar
Tarde
quente
S angue fresco, mais um corpo no chão
Chegou mais uma mensagem
Pro Sargento União
Você não precisa de amendoim
Pode esperar seu salvador
Mas eu posso curar a dor
Foi o que João me ensinou
V amos descendo a ladeira
Talvez Deus esteja lá
C omo bons soldados
Podemos achar um bom lugar
O
sol se pôs
Calcei meus sapatos, eu preciso ir
Se você puder, dê um oi
Pro Sargento União
O CÉU DE ANASTÁCIA
Queria ser o
vento
Para poder te tocar
E te sentir
Soube da correria
E da morte em sua terra
Que era aqui
Onde
estão essas drogas do sertão?
Pergunte a Iolanda, está em suas mãos
Eles já querem velar minha memória
Você tem a luz da Lua
Não enterre seu coração
Navegarei
sob o firmamento
O céu de Anastácia
E àquela estrela eu direi
Esses filhos que trago aqui
São para ti
Conheço
as histórias
A do homem de gravata
E a do ancião
Tomei seu remédio
Mas lá do outro lado
Jazem no portão
Onde
é que fica esse tal de paraíso?
Os caucheiros já vão te mostrar
O meu medo é maior que a minha fé
Assim como a espingarda
Proteja sua mulher
Navegarei
sob o firmamento
O céu de Anastácia
E àquela estrela eu direi
Esses filhos que trago aqui
São para ti
Queria
ser o vento
Para poder te tocar
E te sentir
Queria ser o vento
Para poder te tocar
E te sentir
E te sentir
CUSCUZ
Farinha de milho
no coração de Cuscuz
Vamos acender a luz
Tenha coragem e me dê a mão
Sob o orvalho, cálidas e líquidas
Flores do amanhã
Na primavera de uma ilusão
Guarde
a chave
Guarde, não abra
Guarde a chave
Guarde e livre
A garotinha de todo mal
Pão
de queijo, pau-roxo, o Tapajós
A lua e o Sol
E o desejo em seu Pantanal
Pouco a pouco, o novelo se desfaz
No mesmo céu azul
Em um novo mundo estranho
Guarde
a chave
Guarde, não abra
Guarde a chave
Guarde e livre
A garotinha de todo mal
Você
viu Natasha no Roncador?
Talvez ela saiba o final
Dizem que ela está por aí
Com o coronel Percy
“Olhe para o céu e siga o vôo da águia azul
P urifique o seu coração”,
ela disse para mim.
Meu coração é o coração de Cuscuz
Queimando na fogueira
Logo a chuva vai cair
Guarde
a chave
Guarde, não abra
Guarde a chave
Guarde e livre
A garotinha de todo mal
E livre a garotinha de todo mal
E livre a garotinha de todo mal
CARROSSEL
Eu não
faço parte da gangue
Eu não sei aonde isso vai dar
Talvez onde o olho do estranho
Não possa mais me assombrar
Um
sorriso, ela morreu
Ninguém no cavalinho
O sonho se perdeu
Naquele carrossel
Eu
não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
De você
Eu
conheci um tal de Daniel
A voz na tragédia de Santarém
Ele diz que o tempo é cruel
Talvez pros sapatos que ele tem
Um
sorriso, ela morreu
Ninguém no cavalinho
O sonho se perdeu
Naquele carrossel
Eu
não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
De você
Eu
não faço parte da gangue
Eu não sei aonde isso vai dar
“É só o cadáver de uma puta”,
foi o que ele disse
Acho que é hora dos leões
Começarem a sua luta
Eu
não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
Eu não vou me esquecer
De você
Vou
andar no carrossel
Vou andar no carrossel
MAFALDA COBRINHA VERDE
Me pego aqui
com Mafalda Cobrinha Verde
Tentando descobrir se a vida vem do oeste
Seu Juan agora está dormindo em sua rede
Ele sabe que nossa chuva não fecunda a peste
Tomé
e Manoel estão vindo te salvar
Com uma gota de amor, a beleza vai brotar
Chegou
a hora de você violentar os nossos corações
Mas agüente o vento trazendo Madalenas em seus milhões
Teimosinha como o acaso,
Anita joga a tinta na parede
Para matar a nossa sede
É Mafalda Cobrinha Verde
Entre
brancos e cristalinos
Mãe Preta pôs-me em seu ventre
Quanto mais ferve a luxúria,
Osso de galinha em barriga quente
E aqui estou eu tragada pelo seu Bendengó
Sorrindo entre o Tubarão e o Chapecó
No
grande mar, ouço uma voz
Que há muito se calou
“Embarca, minha velha
Pula fora, meu ioiô”
Chegou
a hora de você violentar os nossos corações
Mas agüente o vento trazendo Madalenas em seus milhões
Teimosinha como o acaso,
Anita joga a tinta na parede
Para matar a nossa sede
É Mafalda Cobrinha Verde
E
eu vou te achar, eu vou te achar
Antes do despertador tocar
Chegou
a hora de você violentar os nossos corações
Mas agüente o vento trazendo Madalenas em seus milhões
Teimosinha como o acaso,
Anita joga a tinta na parede
Para matar a nossa sede
É Mafalda Cobrinha Verde
FLORES DE IPIRÁ
Parece que foi
ontem
Aquele dia ensolarado
Em que você chegou
Com as goiabas do Nhô Lau
Eu
fecho os olhos
E ainda sinto o cheiro
Do mucunzá da Dadá
Você roubou um pouco pra mim
E
a gente brincando de se esconder
A gente brincando de esconder
E
as nuvens me dizem
Que isso não volta mais
Será
que você se lembra?
Sim, você se lembra
Disse que nunca se esqueceria
Do nosso lugar especial
Seus
olhos tão brilhantes
Que me procuravam
E eu agora procuro
Cada sorriso perdido
E
as nuvens me dizem
Que isso não volta mais
Queria
respirar o ar
Daquela tarde à beira-mar
E poder mais uma vez
Sentir o perfume das flores
De Ipirá
Parece
que foi ontem
Que fizemos um coração
Com os nossos nomes
No pé de jacarandá
E
você dizia que era você
Que tinha matado Odete Roitman
O fantasma dela
Acabou de passar por mim
E
a gente brincando de se esconder
A gente brincando de se esconder
E
as nuvens me dizem
Que isso não volta mais
A
fumaça da fábrica
O pôr-do-sol na varanda
Meu cabelo enfeitado
Com uma escova-de-macaco
Agora
nesse lugar distante
De frios semblantes
Eu guardo o seu retrato
Debaixo do meu travesseiro
E
as nuvens me dizem
Que isso não volta mais
Queria
respirar o ar
Daquela tarde à beira-mar
E poder mais uma vez
Sentir o perfume das flores
De Ipirá
De Ipirá
De Ipirá